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Os ansiosos sabem bem como fazer nascer e depois alimentar uma expectativa até que ela se torne um monstro enorme. No modo XXL da espera. Alguém te diz que algo diferente deve acontecer. Combina alguma coisa com você. Você lê no jornal que algo deve se tornar realidade. Recebe por e-mail a notícia de que algo ou alguém está chegando. Pronto. Qualquer uma dessas possibilidades basta para que você imagine a situação que está por acontecer, seja ela boa ou ruim, milhares de vezes na sua cabeça. E você simula a situação mentalmente mais uma vez. E mais uma. Cada vez que imagina o fato ocorrendo, um detalhe é inserido: um gesto, uma abordagem, uma palavra, uma trilha sonora, mais personagens, um novo cenário, o que você estará vestindo no momento fatídico. E depois de tanto confabular em sua mente, você chega à situação ideal. Decide os closes, enquadramentos, luzes e o momento exato em que rola uma lágrima. Tudo perfeito. Você está pronto. Que rufem os tambores e comece o show. Não. Suspendam a apresentação. A história quase acontece. A pessoa quase chega. O fato quase vira notícia. Você quase diz o que pretendia. A lágrima quase sai. Tudo quase se torna realidade e você se frustra por inteiro.
Dessa forma, os ansiosos como eu, criam uma relação sofrida com o quase. É preciso aceitá-lo muitas vezes, pois boa parte das coisas desse mundo não depende somente de nós mesmos. Mas como é difícil! Para quem vive por inteiro, se contentar com a metade pode ser muito dolorido.
O texto abaixo, da Sarah Westphal, uma estudante de Florianópolis, sintetiza de uma forma muito bonita e poética essa relação. Para mim, é um daqueles textos dos quais me sinto parte ou que passaram a fazer parte de mim.
Quase
Sarah Westphal
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto!
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente a paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance!
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando; porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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Os ansiosos sabem bem como fazer nascer e depois alimentar uma expectativa até que ela se torne um monstro enorme. No modo XXL da espera. Alguém te diz que algo diferente deve acontecer. Combina alguma coisa com você. Você lê no jornal que algo deve se tornar realidade. Recebe por e-mail a notícia de que algo ou alguém está chegando. Pronto. Qualquer uma dessas possibilidades basta para que você imagine a situação que está por acontecer, seja ela boa ou ruim, milhares de vezes na sua cabeça. E você simula a situação mentalmente mais uma vez. E mais uma. Cada vez que imagina o fato ocorrendo, um detalhe é inserido: um gesto, uma abordagem, uma palavra, uma trilha sonora, mais personagens, um novo cenário, o que você estará vestindo no momento fatídico. E depois de tanto confabular em sua mente, você chega à situação ideal. Decide os closes, enquadramentos, luzes e o momento exato em que rola uma lágrima. Tudo perfeito. Você está pronto. Que rufem os tambores e comece o show. Não. Suspendam a apresentação. A história quase acontece. A pessoa quase chega. O fato quase vira notícia. Você quase diz o que pretendia. A lágrima quase sai. Tudo quase se torna realidade e você se frustra por inteiro.
Dessa forma, os ansiosos como eu, criam uma relação sofrida com o quase. É preciso aceitá-lo muitas vezes, pois boa parte das coisas desse mundo não depende somente de nós mesmos. Mas como é difícil! Para quem vive por inteiro, se contentar com a metade pode ser muito dolorido.
O texto abaixo, da Sarah Westphal, uma estudante de Florianópolis, sintetiza de uma forma muito bonita e poética essa relação. Para mim, é um daqueles textos dos quais me sinto parte ou que passaram a fazer parte de mim.
Quase
Sarah Westphal
Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto!
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente a paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance!
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando; porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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Parabéns. Seu texto está "fabuloso"! Você descreveu com perfeição o nascer de uma expectativa e sua metamorfose em frustração. Espero um post sobre a próxima fase: a frustração que se transforma em aprendizado. Ah, esse ciclo vicioso dos ansiosos! Grande beijo. Letícia M.
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