quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sempre

.
.
.

Algumas pessoas se comunicam facilmente com um olhar, com um gesto, com um suspiro. Eu preciso das palavras. Organizo minhas ideias, pensamentos e sensações em forma de texto. Às vezes não é muito fácil e, na maior parte do tempo, as descrições que crio para definir meu mundo são incompreensíveis para as outras pessoas. Só fazem sentido para mim. Mas o fato é que gosto muito das palavras, do seu significado e sonoridade. Talvez esse gosto, que demorei um pouco para notar, tenha definido minha escolha profissional. Hoje as palavras são minha principal ferramenta de trabalho e tenho com elas uma relação cada vez mais íntima. Isso me permite também não gostar de algumas delas. Duas me incomodam especialmente: nunca e quase.

Minha mãe criou a intriga com o nunca. Cresci a ouvindo dizer "nunca diga nunca". Qualquer reclamação em que a palavra estivesse presente - nunca vou conseguir, nunca vou conhecer esse lugar, isso nunca vai dar certo - era respondida com uma careta e com uma explicação breve de que nunca é tempo demais e que era muita pretensão minha ou de quem quer que fosse achar que o futuro já estava definido. Ela me dizia para deixar o nunca de lado e acreditar, fazer acontecer. Lembro que quando eu era pequena, detestava essa injeção ânimo que ela insistia em me dar. Queria o direito de acreditar que não aconteceria, de me proteger da frustração, de me esconder atrás do nunca e simplesmente aceitar a ideia de que eu não conseguiria algumas das coisas que queria (com o tempo descobri que minha alma gosta de ser miserável de vez em quando... Mas isso é assunto para outro post). Só sei que de tanto vê-la insistir no tema, acabei incorporando o espírito da coisa ao longo do tempo. Atualmente me vejo aconselhando os amigos com a mesma expressão gasta que ouvi durante anos e anos da minha mãe. Nunca diga nunca.

Talvez, por passar a acreditar nesse quase mantra, eu tenha me machucado mais e insistido em coisas que não valiam a pena. Mas, ao mesmo tempo, passei a lutar muito mais por aquilo que desejo de verdade (e tem que ter muita verdade nesse querer) e aprendi a não esmorecer na primeira derrota. Com essa persistência ganhei muitas coisas boas - amigos, conhecimento, paz, trabalhos, amores - e, principalmente, a admiração da minha mãe.

Cedo ou tarde, vai acontecer o melhor para você. Seja sempre o melhor que puder.

O quase fica para depois, combinado?




O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça.
Coco Chanel

.
.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário